A morte da comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (GCMV), Dayse Barbosa, na madrugada desta segunda-feira (23), na Capital, provocou comoção no meio político e nas forças de segurança do Espírito Santo. De acordo com as primeiras informações da Segurança Pública, o autor dos disparos foi o namorado da vítima, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que teria invadido a residência da comandante, atirado contra ela e, em seguida, tirado a própria vida. O caso é tratado como feminicídio.
Dayse Barbosa estava à frente da Guarda Municipal de Vitória, cargo que, em 20 anos de existência da corporação, sempre havia sido ocupado por homens. Moradora do bairro Santo Antônio, ela era formada em Pedagogia e ingressou na instituição em 2012, após aprovação em concurso público. Durante a trajetória na segurança pública, também se destacou pela atuação em defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência de gênero.
O fato chama atenção por envolver dois profissionais da área de segurança pública, responsáveis pela proteção da sociedade. Dados divulgados pela Segurança Pública apontam que, de janeiro a março deste ano, 17 mulheres foram mortas no Espírito Santo, sendo quatro casos enquadrados como feminicídio.
Presidente da Frente Parlamentar de Combate à Violência contra a Mulher, a deputada estadual Janete de Sá (PSB) lamentou o crime e defendeu o fortalecimento das políticas de prevenção, destacando que a tragédia evidencia a necessidade de ampliar ações educativas e mecanismos de proteção.
“Recebi com profunda tristeza e indignação o assassinato de Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória. Uma mulher que fez história ao comandar, em 20 anos de existência da Guarda, a corporação, mostrando que as forças de segurança também podem ser conduzidas pelo brilho, pela coragem e pela determinação de uma mulher”, afirmou a parlamentar.
A deputada ressaltou que o caso causa ainda mais preocupação por envolver agentes da própria segurança pública. “Ela foi assassinada pelo próprio companheiro, que também tirou a vida. O que mais nos preocupa é que são pessoas ligadas às forças de segurança, que deveriam estar protegendo a sociedade, mas acabam envolvidas em situações de violência dentro de casa”, declarou.
Janete de Sá também defendeu o fortalecimento das políticas preventivas. “A Lei Maria da Penha é uma lei dura e consistente, mas precisamos fortalecer os mecanismos de prevenção. É inadmissível, em pleno século XXI, mulheres serem assassinadas pelo simples fato de serem mulheres ou por decidirem encerrar uma relação muitas vezes tóxica”, disse.
Segundo a parlamentar, é necessário investir em educação e mudança cultural para reduzir os casos de violência. “Precisamos investir mais em educação, na formação dos nossos jovens, para que possamos viver em uma sociedade onde tragédias como essa não se repitam. Infelizmente, é mais um caso que poderia ter sido evitado, mas que termina em luto para todas as mulheres capixabas e brasileiras”, concluiu.
O caso segue sob investigação pelas autoridades policiais.

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