
Com o retorno presencial das aulas, a preocupação com o bullying volta à tona. Essa prática, intensificada pela era digital, pode causar sérios danos à saúde mental de crianças e adolescentes. A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) revelou dados alarmantes: 23% dos estudantes brasileiros já foram vítimas de bullying. Além disso, um a cada dez alunos sofreu com o cyberbullying. Esses números refletem a urgência de abordar o tema de forma abrangente e eficaz.
É fundamental que escolas, famílias e a sociedade em geral estejam atentos aos sinais de que um estudante pode estar sofrendo bullying e trabalhem juntos para criar um ambiente seguro e acolhedor para todos.
Em Vila Velha, uma mãe, que preferiu não se identificar, relatou que sua filha de 10 anos, aluna do 5º ano de uma escola particular, foi vítima de cyberbullying. “Tudo começou com a postagem de emojis considerados ‘infantis’ pelos colegas em um grupo de WhatsApp. Minha filha passou a ser constrangida em sala de aula e um grupo da sala chegou a criar outro grupo com o nome dela no título para excluí-la de forma pejorativa. Ficamos chocadas com a crueldade de algumas crianças tão novas”, relatou a mãe.
A mãe também expressou a dificuldade de lidar com a situação, tanto com os pais dos outros alunos quanto com a questão emocional da filha. “Procurei os pais das crianças, a coordenação da escola e um especialista. Alguns pais, mesmo diante dessas atitudes desumanas, defendem os filhos. É preciso que todos nós, pais, alunos e escola, nos unamos para dar um basta nessa situação. Nós, pais, não podemos negligenciar essas atitudes. Se permitimos que nossos filhos usem a internet, temos o dever de orientá-los para que façam um uso construtivo e positivo”, ressaltou.
A tecnologia como ferramenta de combate
Em Dores do Rio Preto, as aulas de português se tornaram mais dinâmicas e interativas com a implementação do Projeto ETC da Microkids. Com o uso de recursos pedagógicos tecnológicos, os alunos puderam se aprofundar no tema do bullying e cyberbullying por meio de conversas em grupo para formatação dos projetos, produzindo redações que retratam a problemática e suas possíveis soluções.
A psicóloga Ellen Camargo destaca a importância da tecnologia educacional no combate ao bullying: “Ao utilizar a sala de aula, por meio de projetos digitais que abordam o tema, podemos criar um espaço seguro para que os alunos expressem seus sentimentos, aprendam a identificar diferentes formas de agressão e desenvolvam empatia pelos outros”.
A especialista em educação tecnológica e fundadora da Microkids Tecnologia Educacional, Lisalba Camargo, afirma que “a utilização de ferramentas digitais permite a criação de projetos colaborativos, onde alunos e professores podem debater sobre as consequências do bullying, compartilhar experiências e desenvolver estratégias para prevenir e combater a prática”.
Os impactos na saúde mental
“Os impactos do bullying na saúde mental são profundos e duradouros”, afirma a psicóloga Ellen Camargo. A especialista explica que a prática pode desencadear problemas psicológicos como crises de ansiedade, baixa autoestima, depressão e, em casos mais graves, levar a pensamentos suicidas.
Como identificar e o que fazer
Para identificar se uma criança ou adolescente está sofrendo bullying, é importante estar atento a sinais como mudanças no comportamento, alterações físicas e queda no desempenho escolar. Ao perceber que uma criança está sendo vítima de bullying, é fundamental conversar com ela, procurar ajuda de profissionais e denunciar a situação.
A importância da prevenção
Prevenir o bullying é responsabilidade de todos. “Ao trabalhar em conjunto, escola, família e comunidade podem criar um ambiente mais seguro e acolhedor. A tecnologia, quando utilizada de forma consciente e responsável, pode ser uma grande aliada nesse processo”, ressaltou a pedagoga Fernanda Ludgero.

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