
O movimento Maio Amarelo, tradicionalmente voltado à redução de acidentes e mortes no trânsito, amplia seu olhar em 2026 para uma vítima frequente e, por vezes, esquecida: a fauna. Sob o lema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, a campanha deste ano promove a empatia e a responsabilidade compartilhada entre todos os usuários das vias, incluindo os mais vulneráveis.
A importância da vigilância constante foi reafirmada por um episódio recente envolvendo a deputada estadual Janete de Sá (PSB), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus-tratos aos Animais da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. A caminho de uma agenda em Ibiraçu para acompanhar o “carretão de castração”, a parlamentar avistou uma cadela ferida na BR-101, na altura da Serra.
A deputada relatou o momento com emoção: “Ao avistar aquele animal ferido e sangrando em meio ao fluxo intenso da BR-101, não houve dúvidas: paramos imediatamente. Ver o sofrimento de um ser indefeso no asfalto nos lembra que o trânsito não é feito apenas de máquinas, mas de vidas que precisam de socorro imediato”, afirmou Janete.
O animal foi resgatado pela equipe e encaminhado para o Rancho Bela Vista, na Serra. Para a parlamentar, a ação é um desdobramento direto de sua missão pública. ” O resgate dessa cadelinha simboliza a nossa luta diária para que nenhum animal seja deixado para trás ou tratado como um descarte das rodovias”, reforçou.
A urgência da campanha “Eu freio para animais” é sustentada por dados da Plataforma Urubu. O levantamento indica que cerca de 17 animais são atropelados por segundo no Brasil, totalizando aproximadamente 475 milhões por ano. A região Sudeste é o principal gargalo, concentrando 50% desses registros, especialmente em trechos críticos das rodovias BR-101 e BR-262.
De acordo com a idealizadora do programa Reluz na Estrada,Renata Bomfim, destaca que o projeto nasceu justamente para preencher a lacuna de ações educativas voltadas à fauna. Para a deputada Janete de Sá, essa mudança cultural é a única forma de reverter os números.
“O Maio Amarelo precisa ser um despertar para a empatia total. Quando dizemos que ‘enxergar o outro é salvar vidas’, estamos incluindo o animal que tenta atravessar a pista. Frear para um animal é um ato de humanidade e de responsabilidade civil que evita tragédias ainda maiores”, concluiu a deputada.

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