
A pesquisadora Vanessa Regly, admitida em um dos programas de educação mais prestigiados do mundo, une inteligência artificial e o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) para transformar a inclusão escolar no Brasil em prática real e de larga escala.
A advogada, pesquisadora e empreendedora brasileira Vanessa Regly acaba de alcançar um dos marcos mais relevantes de sua trajetória acadêmica internacional: sua admissão no programa de Mestrado em Educação Internacional e Liderança Global da Johns Hopkins University, com foco em Inteligência Artificial aplicada à aprendizagem e inovação educacional.
Reconhecida como Global Leader Scholar, Vanessa integra um seleto grupo de estudantes escolhidos globalmente por mérito acadêmico e potencial de impacto sistêmico em educação e desenvolvimento social. Mas a história por trás dessa conquista não começa nos corredores de universidades internacionais, começa dentro de casa.
Ao lado do esposo, o empresário Helly Regly Junior, Vanessa teve sua vida profundamente transformada após o nascimento da filha do casal, Talita, diagnosticada com mielomeningocele. A condição exige acompanhamento contínuo e impacta diretamente o desenvolvimento motor, expondo a família a uma realidade ainda negligenciada no Brasil: a distância entre o discurso da inclusão e sua aplicação concreta nas escolas.
Inovação e empreendedorismo: A Duatech
Foi nesse ponto que a trajetória profissional do casal ganhou um novo eixo. Com formação jurídica sólida e atuação em direitos humanos, políticas públicas e governança institucional — incluindo passagens pelo Ministério Público do Trabalho e pela Procuradoria-Geral do Estado do Espírito Santo —, Vanessa passou a direcionar sua carreira para um problema estrutural: como transformar a inclusão, prevista em lei, em prática real dentro dos sistemas educacionais. Dessa inquietação nasceu a Duatech.
A empresa atua no desenvolvimento de um ecossistema integrado de educação inclusiva, combinando formação continuada de professores, produção de materiais pedagógicos acessíveis e desenvolvimento de soluções tecnológicas baseadas em evidências. O trabalho é fundamentado no Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), abordagem consolidada internacionalmente e ainda pouco implementada de forma estruturada no Brasil.
Impacto em larga escala
Além da atuação empresarial, Vanessa lidera a criação de um dos projetos editoriais mais ambiciosos da área: a coleção Equidade em Ação, composta por 45 volumes voltados à educação inclusiva ao longo de toda a educação básica. Desenvolvida em parceria com a Editora Microkids, que já impactou mais de 3 milhões de estudantes no país, a coleção foi estruturada para atender redes públicas de ensino em larga escala, alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à legislação brasileira de inclusão.
Paralelamente, Vanessa também é criadora do SIGEC®️, um sistema de governança educacional que integra dados, políticas públicas e práticas pedagógicas para apoiar gestores na implementação efetiva da inclusão. O objetivo é claro: sair do campo normativo e construir mecanismos operacionais capazes de gerar evidência, escala e impacto real.
Reconhecimento Internacional
Sua trajetória acadêmica internacional já vinha sendo reconhecida antes mesmo da aprovação em Johns Hopkins. Vanessa foi bolsista da American University Washington College of Law em um programa avançado de direitos humanos, recebeu apoio da Harvard Kennedy School e foi certificada pela Harvard Graduate School of Education em Desenho Universal para a Aprendizagem. Também recebeu bolsas de estudos da Northwestern University e da Loyola Law School, sendo reconhecidamente uma aluna notável entre grandes universidades americanas.
A pesquisadora também foi palestrante no World Creativity Day e finalista do prêmio “Valuable Young Leaders”, promovido pela Harvard Business Review Brasil — distinções que reforçam seu posicionamento na interseção entre inovação, educação e impacto social.
O desafio Brasileiro e o futuro com IA
No Brasil, o cenário que motivou sua atuação ainda é desafidador: milhões de crianças com deficiência estão inseridas no sistema educacional, enquanto grande parte dos professores não recebeu formação adequada. O resultado é uma inclusão muitas vezes simbólica, sem participação real ou aprendizagem efetiva.
A aprovação na Johns Hopkins surge, portanto, como um movimento estratégico — não apenas acadêmico, mas operacional. Com foco em inteligência artificial aplicada à educação, Vanessa pretende aprofundar o desenvolvimento de sistemas capazes de identificar padrões de aprendizagem, apoiar professores em tempo real e ampliar a personalização do ensino em larga escala.
“Tudo começou com a nossa filha. Foi ali que entendemos que inclusão não pode ser apenas um discurso bonito. Ela precisa funcionar dentro da sala de aula, na prática, todos os dias”, afirma Vanessa Regly.
A expectativa é que, a partir dessa formação internacional, a Duatech avance em escala, consolidando-se como uma solução aplicável a redes públicas de ensino e contribuindo diretamente para a modernização da educação inclusiva no Brasil. Mais do que uma conquista individual, a trajetória de Vanessa e Helly revela um movimento crescente de famílias brasileiras que passam a construir respostas com impacto que ultrapassa suas próprias histórias.

.jpg?v=638918229196875780)
















































