
Uma ação conjunta entre a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), a Polícia Civil de Goiás (PCGO), por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF), e a Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO) resultou na prisão de duas mulheres, de 19 e 22 anos, investigadas por integrar uma associação criminosa de atuação interestadual especializada no chamado “golpe do falso emprego”.
As investigadas foram presas em Goiânia, Goiás, entre os dias 21 e 22 de agosto. A prisão foi possível graças à cooperação entre as forças de segurança, após as investigações terem sido iniciadas no Espírito Santo e avançado em território goiano. O trabalho de inteligência da PCES foi fundamental para mapear a atuação da dupla e identificar o modus operandi utilizado pelo grupo criminoso.
Segundo o delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), a investigação permitiu identificar uma dinâmica criminosa que se aproveitava da busca das vítimas por oportunidades de trabalho para obter informações pessoais e dados biométricos.
“O grupo criminoso atraía as vítimas por meio de anúncios de falsas vagas de emprego e, sob o pretexto de realizar procedimentos necessários para a contratação, conseguia obter fotografias do rosto e outros dados pessoais. Essas informações eram utilizadas posteriormente para a prática de fraudes financeiras, inclusive para a contratação de financiamentos de veículos de alto valor em nome das vítimas. A partir do trabalho de inteligência realizado pela PCES, conseguimos identificar o modo de atuação da associação criminosa e compartilhar essas informações com as forças de segurança de Goiás, o que contribuiu para a localização e prisão das investigadas”, explicou o delegado Jonathan Lana.
As investigações da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa) tiveram início após o registro de ocorrências de fraude eletrônica na Grande Vitória. Segundo as apurações, o grupo criminoso utilizava anúncios patrocinados em redes sociais para divulgar falsas oportunidades de trabalho, principalmente para vagas de motorista e entregador.
Atraídas pela promessa de contratação, as vítimas eram direcionadas a escritórios utilizados como fachada pela organização criminosa. Sob o pretexto de realizar um suposto “cadastro admissional” ou uma “verificação de segurança”, as investigadas fotografavam o rosto dos candidatos com um aparelho celular, obtendo dados de biometria facial.
Posteriormente, as vítimas descobriam que seus dados pessoais e a biometria facial haviam sido utilizados, sem consentimento, para a contratação fraudulenta de financiamentos de veículos de alto valor junto a instituições financeiras.
Em um dos casos investigados no Espírito Santo, uma vítima de Serra teve um veículo da marca BMW financiado fraudulentamente em seu nome, gerando uma dívida contratual de R$ 247 mil.
Até o momento, as investigações identificaram pelo menos cinco vítimas, sendo três no Espírito Santo e duas em Goiás. A Polícia Civil, no entanto, acredita que outras pessoas possam ter sido vítimas do grupo e orienta que eventuais vítimas procurem as autoridades policiais para registrar a ocorrência.
Alerta à população
A Polícia Civil do Espírito Santo alerta a população para que desconfie de processos seletivos que exijam o fornecimento de dados biométricos, como selfies ou fotografias do rosto, especialmente quando solicitados por meio de aparelhos celulares de terceiros ou fora de canais institucionais oficiais.
Em caso de suspeita ou identificação de atuação semelhante, a orientação é registrar a ocorrência por meio da Delegacia Online ou procurar a unidade policial mais próxima.
As investigações continuam com o objetivo de identificar outros integrantes da associação criminosa e verificar a existência de outras vítimas e possíveis ocorrências relacionadas ao mesmo modus operandi.


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